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Em qualquer produção textual formal, seja uma redação de concurso, um e-mail profissional ou um artigo acadêmico, a correção gramatical é um dos aspectos mais valorizados. Entre os principais pontos que exigem atenção, a concordância verbal costuma ser um dos vilões mais comuns entre candidatos e estudantes. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, dominar esse conteúdo não é tão complicado quanto parece. Com um pouco de atenção às regras e prática consciente, é possível evitar deslizes e garantir mais segurança na escrita.
A concordância verbal diz respeito à relação entre o verbo e o sujeito da oração. Em outras palavras, o verbo precisa “concordar” com o sujeito em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª). Embora a regra geral seja simples, o verbo concordar com o núcleo do sujeito, há situações específicas em que essa relação pode se tornar mais complexa. E é justamente nesses casos em que ocorre a maioria dos erros.
A seguir, vamos entender melhor essas regras e como aplicá-las corretamente, especialmente em contextos formais, onde a clareza e a correção são indispensáveis.
Regras básicas de concordância verbal
A regra fundamental da concordância verbal é direta: o verbo precisa acompanhar o sujeito em número e pessoa. Assim, se o sujeito está no singular, o verbo também deve estar; se estiver no plural, o verbo o acompanha. Por exemplo, na frase “O aluno estuda todos os dias”, o verbo “estuda” está no singular, pois concorda com “o aluno”. Se mudarmos para “Os alunos estudam todos os dias”, o verbo vai para o plural para acompanhar o sujeito pluralizado.
Essa regra cobre a maioria dos casos simples. No entanto, à medida que a estrutura da frase se torna mais elaborada, com sujeitos compostos, expressões alternativas, pronomes indefinidos ou construções com sentido coletivo, a concordância verbal exige mais atenção.
Sujeitos simples e compostos: como evitar erros
Um erro comum acontece quando o sujeito é composto, ou seja, quando há dois ou mais núcleos ligados por conjunções. Nesse caso, o verbo costuma ir para o plural, pois há mais de um agente praticando ou sofrendo a ação. Por exemplo: “Carlos e Mariana chegaram cedo”. Como há dois núcleos (“Carlos” e “Mariana”), o verbo vai para o plural.
No entanto, há exceções. Quando os núcleos são sinônimos, ou se referem à mesma pessoa ou coisa, o verbo pode permanecer no singular. Observe: “A calma e a serenidade do professor impressionava os alunos.” Neste exemplo, ainda que existam dois substantivos, eles representam aspectos semelhantes de um mesmo sujeito, e o verbo no singular é aceitável, embora o plural também possa ser usado.
Além disso, se os núcleos estiverem no singular e forem ligados por expressões que indicam gradação ou sequência, como “mais… do que”, “menos… que”, “tanto… quanto”, pode haver variação na concordância, dependendo da ênfase. Por isso, nesses casos, é importante considerar o foco da informação para decidir a forma mais adequada.
Concordância com sujeitos ligados por “ou”, “nem” e “com”
As conjunções “ou”, “nem” e “com” geram bastante dúvida, pois sua influência sobre o verbo varia de acordo com o contexto. Quando dois sujeitos estão ligados por “ou” com ideia de exclusão, o verbo concorda com o núcleo mais próximo. Por exemplo: “Ou João ou Pedro será escolhido.” Aqui, a escolha recai sobre apenas um dos dois. Mas se a conjunção indicar possibilidade cumulativa, ou seja, ambos podem ser incluídos, o verbo pode ir para o plural: “Ou João ou Pedro participarão do projeto.”
A conjunção “nem”, que expressa negação conjunta, normalmente exige o verbo no plural: “Nem o professor nem os alunos entenderam a proposta.” A lógica é que ambos os núcleos negam juntos a mesma ação.
Já o uso de “com” no lugar de “e” também merece atenção. Quando usado no sentido de companhia, o verbo geralmente permanece no singular, especialmente em contextos formais: “O presidente, com seus assessores, visitou a obra.” Mas em situações mais informais ou enfáticas, o plural também pode ocorrer: “O presidente, com seus assessores, visitaram a obra.” Ambas as formas são gramaticalmente aceitas, mas o uso no singular tende a ser mais comum e mais recomendado na escrita formal.
Casos especiais: sujeitos indeterminados e coletivos
Certas construções exigem ainda mais cuidado por apresentarem sujeitos que não são nitidamente definidos, como ocorre com os sujeitos indeterminados e coletivos. No caso do sujeito indeterminado, o verbo aparece geralmente na terceira pessoa do singular. Isso acontece com verbos intransitivos, pronominais ou transitivos indiretos acompanhados da partícula “se”, como em: “Vive-se bem nesta cidade.” Aqui, o sujeito é indeterminado e o verbo fica no singular, mesmo que a ação possa envolver muitas pessoas.
Já com os sujeitos coletivos, a dúvida costuma surgir sobre manter o verbo no singular ou colocá-lo no plural. Se o coletivo estiver sem especificações, o verbo deve concordar com ele no singular: “A multidão aplaudiu o artista.” Mas se houver um termo que especifique os integrantes desse coletivo, é possível usar o verbo no plural, especialmente se a ênfase recair sobre os elementos: “A multidão de torcedores aplaudiram o artista.” Ambas as formas são aceitas, mas o contexto determina qual transmite a ideia com mais precisão. Em textos formais, a versão no singular é, em geral, a mais segura.
Como lidar com orações intercaladas e inversão da ordem
Outro desafio da concordância verbal surge quando a ordem natural das frases é alterada. Em muitos textos, principalmente em contextos mais formais ou literários, a estrutura da oração pode ser invertida, com o verbo aparecendo antes do sujeito. Isso pode confundir quem está escrevendo, levando a erros de concordância por não identificar corretamente o núcleo do sujeito.
Considere a frase: “Chegaram os novos alunos da turma.” Aqui, o verbo “chegaram” está corretamente no plural, pois concorda com “os novos alunos”, embora o sujeito apareça depois do verbo. Esse tipo de construção exige atenção redobrada, já que o olhar apressado pode levar a erros, como escrever “chegou os novos alunos”, o que está incorreto.
Outro caso semelhante ocorre quando há orações intercaladas, como “disse ele”, “afirmou o autor”, entre outras. Nestes casos, o verbo deve concordar com o sujeito que realmente o pratica, mesmo que esteja deslocado. Exemplo: “Os alunos, disse o coordenador, estão bem preparados.” Ainda que a oração “disse o coordenador” esteja entre vírgulas e pareça central, o sujeito do verbo “estão” continua sendo “os alunos”.
Manter atenção à lógica da frase, mesmo com elementos intercalados ou ordem invertida, é essencial para que a concordância se mantenha correta.

Concordância verbal: domínio, prática e segurança
Dominar a concordância verbal é compreender a lógica por trás da estrutura das frases. Saber identificar o sujeito, reconhecer os diferentes tipos de construção e adaptar a concordância de acordo com o contexto é uma habilidade fundamental para quem deseja escrever com clareza e credibilidade.
Em textos formais, como os exigidos em concursos públicos, qualquer desvio gramatical pode comprometer a qualidade do conteúdo. Por isso, além de entender as regras, é essencial praticar com frequência, revisar seus próprios textos e prestar atenção às estruturas mais recorrentes. Com o tempo, a concordância verbal se torna natural, deixando de ser uma preocupação para se tornar um recurso a favor da comunicação.
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