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BLOG | Adriana Figueiredo

Português para Concursos

Concordância verbal descomplicada: como usar corretamente em textos formais

Foto: Freepik + Canva.

Em qualquer produção textual formal, seja uma redação de concurso, um e-mail profissional ou um artigo acadêmico, a correção gramatical é um dos aspectos mais valorizados. Entre os principais pontos que exigem atenção, a concordância verbal costuma ser um dos vilões mais comuns entre candidatos e estudantes. Mas, ao contrário do que muitos imaginam, dominar esse conteúdo não é tão complicado quanto parece. Com um pouco de atenção às regras e prática consciente, é possível evitar deslizes e garantir mais segurança na escrita.

A concordância verbal diz respeito à relação entre o verbo e o sujeito da oração. Em outras palavras, o verbo precisa “concordar” com o sujeito em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª). Embora a regra geral seja simples, o verbo concordar com o núcleo do sujeito, há situações específicas em que essa relação pode se tornar mais complexa. E é justamente nesses casos em que ocorre a maioria dos erros.

A seguir, vamos entender melhor essas regras e como aplicá-las corretamente, especialmente em contextos formais, onde a clareza e a correção são indispensáveis.

Regras básicas de concordância verbal

A regra fundamental da concordância verbal é direta: o verbo precisa acompanhar o sujeito em número e pessoa. Assim, se o sujeito está no singular, o verbo também deve estar; se estiver no plural, o verbo o acompanha. Por exemplo, na frase “O aluno estuda todos os dias”, o verbo “estuda” está no singular, pois concorda com “o aluno”. Se mudarmos para “Os alunos estudam todos os dias”, o verbo vai para o plural para acompanhar o sujeito pluralizado.

Essa regra cobre a maioria dos casos simples. No entanto, à medida que a estrutura da frase se torna mais elaborada, com sujeitos compostos, expressões alternativas, pronomes indefinidos ou construções com sentido coletivo, a concordância verbal exige mais atenção.

Sujeitos simples e compostos: como evitar erros

Um erro comum acontece quando o sujeito é composto, ou seja, quando há dois ou mais núcleos ligados por conjunções. Nesse caso, o verbo costuma ir para o plural, pois há mais de um agente praticando ou sofrendo a ação. Por exemplo: “Carlos e Mariana chegaram cedo”. Como há dois núcleos (“Carlos” e “Mariana”), o verbo vai para o plural.

No entanto, há exceções. Quando os núcleos são sinônimos, ou se referem à mesma pessoa ou coisa, o verbo pode permanecer no singular. Observe: “A calma e a serenidade do professor impressionava os alunos.” Neste exemplo, ainda que existam dois substantivos, eles representam aspectos semelhantes de um mesmo sujeito, e o verbo no singular é aceitável, embora o plural também possa ser usado.

Além disso, se os núcleos estiverem no singular e forem ligados por expressões que indicam gradação ou sequência, como “mais… do que”, “menos… que”, “tanto… quanto”, pode haver variação na concordância, dependendo da ênfase. Por isso, nesses casos, é importante considerar o foco da informação para decidir a forma mais adequada.

Concordância com sujeitos ligados por “ou”, “nem” e “com”

As conjunções “ou”, “nem” e “com” geram bastante dúvida, pois sua influência sobre o verbo varia de acordo com o contexto. Quando dois sujeitos estão ligados por “ou” com ideia de exclusão, o verbo concorda com o núcleo mais próximo. Por exemplo: “Ou João ou Pedro será escolhido.” Aqui, a escolha recai sobre apenas um dos dois. Mas se a conjunção indicar possibilidade cumulativa, ou seja, ambos podem ser incluídos, o verbo pode ir para o plural: “Ou João ou Pedro participarão do projeto.”

A conjunção “nem”, que expressa negação conjunta, normalmente exige o verbo no plural: “Nem o professor nem os alunos entenderam a proposta.” A lógica é que ambos os núcleos negam juntos a mesma ação.

Já o uso de “com” no lugar de “e” também merece atenção. Quando usado no sentido de companhia, o verbo geralmente permanece no singular, especialmente em contextos formais: “O presidente, com seus assessores, visitou a obra.” Mas em situações mais informais ou enfáticas, o plural também pode ocorrer: “O presidente, com seus assessores, visitaram a obra.” Ambas as formas são gramaticalmente aceitas, mas o uso no singular tende a ser mais comum e mais recomendado na escrita formal.

Casos especiais: sujeitos indeterminados e coletivos

Certas construções exigem ainda mais cuidado por apresentarem sujeitos que não são nitidamente definidos, como ocorre com os sujeitos indeterminados e coletivos. No caso do sujeito indeterminado, o verbo aparece geralmente na terceira pessoa do singular. Isso acontece com verbos intransitivos, pronominais ou transitivos indiretos acompanhados da partícula “se”, como em: “Vive-se bem nesta cidade.” Aqui, o sujeito é indeterminado e o verbo fica no singular, mesmo que a ação possa envolver muitas pessoas.

Já com os sujeitos coletivos, a dúvida costuma surgir sobre manter o verbo no singular ou colocá-lo no plural. Se o coletivo estiver sem especificações, o verbo deve concordar com ele no singular: “A multidão aplaudiu o artista.” Mas se houver um termo que especifique os integrantes desse coletivo, é possível usar o verbo no plural, especialmente se a ênfase recair sobre os elementos: “A multidão de torcedores aplaudiram o artista.” Ambas as formas são aceitas, mas o contexto determina qual transmite a ideia com mais precisão. Em textos formais, a versão no singular é, em geral, a mais segura.

Como lidar com orações intercaladas e inversão da ordem

Outro desafio da concordância verbal surge quando a ordem natural das frases é alterada. Em muitos textos, principalmente em contextos mais formais ou literários, a estrutura da oração pode ser invertida, com o verbo aparecendo antes do sujeito. Isso pode confundir quem está escrevendo, levando a erros de concordância por não identificar corretamente o núcleo do sujeito.

Considere a frase: “Chegaram os novos alunos da turma.” Aqui, o verbo “chegaram” está corretamente no plural, pois concorda com “os novos alunos”, embora o sujeito apareça depois do verbo. Esse tipo de construção exige atenção redobrada, já que o olhar apressado pode levar a erros, como escrever “chegou os novos alunos”, o que está incorreto.

Outro caso semelhante ocorre quando há orações intercaladas, como “disse ele”, “afirmou o autor”, entre outras. Nestes casos, o verbo deve concordar com o sujeito que realmente o pratica, mesmo que esteja deslocado. Exemplo: “Os alunos, disse o coordenador, estão bem preparados.” Ainda que a oração “disse o coordenador” esteja entre vírgulas e pareça central, o sujeito do verbo “estão” continua sendo “os alunos”.

Manter atenção à lógica da frase, mesmo com elementos intercalados ou ordem invertida, é essencial para que a concordância se mantenha correta.

Foto: Canva.

Concordância verbal: domínio, prática e segurança

Dominar a concordância verbal é compreender a lógica por trás da estrutura das frases. Saber identificar o sujeito, reconhecer os diferentes tipos de construção e adaptar a concordância de acordo com o contexto é uma habilidade fundamental para quem deseja escrever com clareza e credibilidade.

Em textos formais, como os exigidos em concursos públicos, qualquer desvio gramatical pode comprometer a qualidade do conteúdo. Por isso, além de entender as regras, é essencial praticar com frequência, revisar seus próprios textos e prestar atenção às estruturas mais recorrentes. Com o tempo, a concordância verbal se torna natural, deixando de ser uma preocupação para se tornar um recurso a favor da comunicação.

Dominar a concordância verbal representa um diferencial de comunicação que transmite precisão, profissionalismo e segurança. Se você deseja aprofundar esse domínio com método, exercícios e orientação especializada, conheça nossa Assinatura Total Master, um recurso completo, pensado para transformar conhecimento em confiança na escrita.

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Sobre Adriana Figueiredo

Há mais de 25 anos, leciona em cursos presenciais e online para alunos de todo o Brasil. Suas redes sociais, juntas, têm mais de 1,2 milhão de seguidores. Especialista em português e redação para concursos, é dona de uma metodologia patenteada que ensina com lógica. Além de ser professora exclusiva do Estratégia Concursos, possui um site especializado em Língua Portuguesa, cuja plataforma de aulas conta com mais de 4 mil alunos matriculados. Também é autora de várias obras, entre elas a “Gramática Comentada” lançada pela Editora Saraiva, considerada em 2016 como um dos "10 livros de português indispensáveis para concurseiros" pela Revista Exame.

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